sexta-feira, janeiro 13, 2006

E agora, estou no ressequir do vício, e espero que a pulsação vital da alma abrande, para de mais sonhos me enlear. Estou no culminar do princípio da noite, que se funde com o nascer do sol nesta linha de texto. Pouco iluminado, escrevo e sou chato, sou forçado e sou indiferente a tudo isso, enquanto coço as horas barbeadas pela lâmina do crime. Agrido os sons sem gaguejar, fervo as ideias sem me escaldar, destruo-me, sem me ser mais que a temperatura ambiente. Enquanto me anicho, frio de tão morno, submeto a lua à pontualidade inconsequente do meu brilho sombrio e vazio. Escrevo e espero, e espero. Aos pinotes num cavalinho de embalo de madeira, sublimo o rompante sem sensação, após me adornar do vago colar reluzente na inversão conceptual costumeira e nocturna. Beijo-me, e ao colar, em carícias quase sevícias para com o substrato diluído em pré-películas invariávelmente escuras. Para não variar, babo-me solvente e degenero no ventre umbilical da mãe apática, sorrindo de impressionismo. Sobre o ausente, regenero pós e tusso-os, doentios entes fraternos da impureza. Faço-me morte enquanto a noite se desprende das malhas vivas de consistência empatogénica. Destituo-me da batuta e a orquestra cala-se em chinfrim desarticulado, marioneta das separações entre segredos interiores mas subjacentes, pela harmonia. Em eco de atrito, a aceitação do estridente deita por terra a paisagem de verde, ao que claramente acorro com o fechar das cortinas e olhares. Morro, duna dorsal, em planície de areia montanhosa.